Quando minha mãe saiu da maternidade dona Evangelina Rosa, no dia 04 de junho de 1985, me trouxe para a quadra 83 do conjunto Saci (bairro onde moro), aqui cresci com muitos amigos de infância e com vizinhos que mesmo não sendo muito íntimos, se falavam de vez em quando.
Como eu era a mais nova da turma, sempre fui “café com leite” nas brincadeiras de rua, isso a mando do meu irmão Daniel, que não queria que nenhum dos meninos se aproximasse de mim.
Minha irmã nunca brincava na rua, ela já era bem grandinha pra sair correndo conosco, brincando de esconde, do pega, salvar a bandeira, do queima (eu odiava essa brincadeira, sempre levava bolada e era “café com leite”, aff!!!) e ainda tinha outras brincadeiras que eram criadas na rua mesmo.
Depois veio uma onda de jogar vôlei, mais uma vez eu ficava na reserva, porque eu era a menor da turma e meu irmão dizia logo:
- A Natalie é a gandula. (Detalhe: eu era a dona da bola de vôlei).
Um belo dia, deixei de ser besta e na hora que a bola caiu, muito, muito longe, me senti tão humilhada que peguei a bola e fui pra casa, ficou todo mundo no vácuo esperando minha volta, contei tudo pra mamãe e reclamei que era a dona da bola e nem tinha a chance de jogar...
Eu tinha a Barbie, o Ken, uma Suzy e um Bob, mas não tinha com quem brincar, saia puxando uma caixa enorme (com a casa inteira da Barbie), pela rua procurando alguma amiguinha para brincar.
Apesar de tudo, lembro de coisas boas da minha infância, tive ótimos amigos(as), mas isto foi com muita luta, querendo me unir às meninas mais velhas que eu.
Em cada casa tinha uma turma de amigos:
Na quadra 83, casa 16, morava Chiara e Luís Antonio (que quase nunca saiam para brincar, mas hoje, se tiver um fuá na rua eles estarão lá com certeza), na casa 18, Eu e Daniel, na casa 19, Jônio e Cláudio Neto (apesar de serem bem mais velhos, eram os cabeças das brincadeiras de “mau gosto”) , na casa 21 era o Wagner Junior (GRANDE JUNINHO, todo mundo dizia que ele seria meu marido).
Quadra 84 casa 01 Viviane, casa 02 situada na esquina em frente ao antigo entreposto pesqueiro, hoje ACADEPOL, Robert, Mara e Ronaldinho, na casa 03 Rochelle, na 04 Raphael e Marília, (desculpa aí Marianni, você era muito pequena... rsrsr), na casa 08 Iracema (que veio morar tempos depois, mas chegou a acompanhar essa turma).
E ainda tinha muitos amigos que vinham das outras ruas ou os que moraram na nossa rua e em pouco tempo foram embora. Mas ainda fazem parte da nossa história.
Tenho saudade daquela época em que nossos pais chamavam cada um para “passar pra dentro de casa” às dez horas da noite... era “muito tarde” e cada um tinha seu modo faceiro de chamar os filhos... Meu pai nos chamava como ainda chama, com um assovio que poderia estar tocando a música mais alta do mundo e ainda dava pra escutar. A dona Magela aparecia no portão e gritava: - RAPHAEEEEEEEEL, MARIIIIIIIILIA, PRA CASA.
A dona Socorro era a vencedora, com sua voz extremamente estridente gritava: - MAAAAAARA OU MAAAAAARA, ROOOOBERTH, RONALD, PRA CASA AGORA, JÁ TA TARDE E VOCÊS TUDIM VÃO PRA CASA TAMBÉM.
Era assim, um poço de formosura, mas que eu sinto uma saudade doida daquele tempo.
Hoje a rua está diferente, a brincadeira das crianças não são as mesmas, a violência aumentou, os muros estão mais altos e com cercas elétricas, o vigia da minha época era surdo e os meninos viviam importunando o pobre, agora o vigia é um chato que apita a noite inteira e nada faz para a nossa segurança...
Nossa!!! Que saudade da minha infância...